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Diferenças entre Liga e M5S ameaçam coalizão na Itália, diz cientista

Ex-senador Gianfranco Pasquino vé com temor possivel governo populista

RIO E BOLONHA — Aos 76 anos, Gianfranco Pasquino, professor emérito de Ciência Política da Universidade de Bolonha e ex-senador (1983-1992 e 1994-1996), vê com temor econômico e político a perspectiva de um potencial governo entre os populistas antissistema do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e a extrema-direita da Liga. Para Pasquino, que é membro da Academia Nacional dos Linces (Ciências) e hoje leciona na sede bolonhesa da universidade americana Johns Hopkins, os partidos farão de tudo para sustentar o governo eurocético, mas terão pela frente duras divergências internas; a própria inaptidão com as instituições de governo; a resistência do ex-premier Silvio Berlusconi — aliado do líder da Liga, Matteo Salvini, mas odiado pelos populistas liderados por Luigi di Maio —; e um muito provável abandono político pela União Europeia (UE). Com um longo histórico de publicações e comentários sobre a política italiana, o professor não vê um governo sustentável, mesmo que as duas legendas tenham maioria parlamentar – “Temo que surjam muitas divergências, confrontos, problemas, e que, no final, façam pouco, e mal feito” — definiu, em entrevista ao GLOBO.
Após meses de ataques entre Berlusconi e Di Maio, o ex-premier anunciou sua abstenção sobre um governo entre Liga e Cinco Estrelas, mas não apoiaria uma moção de confiança. Se de fato houver este governo, como ele funcionaria?
Cinco Estrelas e Liga têm, por si mesmos, maioria absoluta tanto na Câmara dos Deputados como no Senado. Berlusconi decidirá quais leis votar e quais não, tentando mostrar que tem poder político, maior competência e maior atenção aos interesses do país que, se o tivesse no governo, estaria melhor. Ele continuará com sua campanha eleitoral permanente.
Era isso o que Salvini queria desde o momento em que superou o aliado Berlusconi nas urnas? Garantir sua vaga, mas sem romper a aliança com o ‘Cavaliere’?
Sim, acredito que Salvini realmente quisesse isso. Ele provou ser coerente e leal, capaz de se tornar o verdadeiro líder da centro-direita na Itália. Agora, irá querer um cargo importante do governo. Ministro do Interior? E algum ministério que dê real poder à Liga.
Existem muitas diferenças entre Di Maio e Salvini; o M5S é um movimento heterogêneo; e Berlusconi sempre estará próximo da Liga. Embora Liga e M5S estejam bem nas pesquisas, uma aliança governamental entre eles não seria muito frágil para resistir a uma moção de desconfiança no Parlamento?
Não haverá moção de desconfiança. A aliança M5S-Liga tentará durar o máximo que puder, e tem os votos necessários para resistir. Berlusconi vem caindo, e o Partido Democrático (PD, legenda de centro-esquerda dos ex-premiers Matteo Renzi e Paolo Gentiloni) não sabe por qual caminho começar a se reconstruir.
Quem poderia ser o próximo primeiro-ministro?
O premier, que será nomeado pelo presidente da República, será um homem ou uma mulher não muito visível politicamente, que represente o ponto de equilíbrio entre M5S e Liga. Se (o presidente Sergio) Mattarella for bem sucedido, será alguém credível a nível europeu. Tarefa difícil, mas essencial.
Tudo isso poderia ser uma manobra de Berlusconi para concorrer em outra ocasião, talvez em 2019? Ele decidiu dar aval a um governo Liga-M5S só depois que todas as alternativas já haviam se esgotado…
O Força Itália, de Berlusconi, temia novas eleições, nas quais perderia votos. Não acho que Berlusconi — mas eu sugeriria dar a ele menos importância, uma vez que a política italiana não gira em torno dele — consiga retornar ao Parlamento e seja capaz de manobrar a Liga.
O que poderia significar um governo Liga-M5S para a economia e para a sociedade italianas já a curto prazo?
Estou muito preocupado. Nem o M5S nem a Liga têm economistas experientes e competentes capazes de eficácia nas negociações a nível europeu. Eles têm receitas diferentes e contrastantes: renda básica e imposto único (15%), referendo sobre o euro e o soberanismo. Temo que surjam muitas divergências, confrontos, problemas, e que, no final, façam pouco, e mal feito.
Como a Europa poderá ver o primeiro governo eurocético em seu ‘coração’? A UE acreditava que Berlusconi era um dos únicos atores que poderiam conter os populistas…
Bruxelas tomará nota de que o governo italiano é provavelmente o menos querido pela UE. Irão excluí-lo das decisões e dos contatos informais sempre que possível. Serão muito rigorosos com o que o governo italiano fará, com o que não fará, com o que terá que fazer. Nenhum alívio, nenhuma “gentileza”.
Publicado em 17 de maio de 2018

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